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15 de novembro de 2011

E o Pré-Sal, hein?

Guilherme Barducci

     Há cerca de um ano a Petrobras, uma das maiores empresas do mundo e a maior do Brasil anunciou a descoberta que viria a se tornar o xodó dos políticos brasileiros, a plataforma de campanha da atual presidenta Dilma e um dos maiores motivos de briga entre governadores de estado: o Pré-Sal poderia ser explorado.

     Muito se especulava, antes deste anúncio, se aquela enorme camada de sal não iria desmoronar caso todo o óleo fosse dali retirado – mas sim, o ouro negro poderia sair dali e gerar riqueza para os estados. Por conta disso outra grande especulação foi criada: caso a oposição assume a República o Pré-Sal continuaria nas mãos dos brasileiros ou ele seria vendido a preço de banana para os gringos da Exxo Mobile?

     Este blogueiro acompanhou o caso e postou “O Pré-Sal é nosso!”, quando a jazida foi liberada para exploração comercial, “O Pré-Sal é nosso!” II – Principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Mas principalmente do Rio…”, quando os estados buscavam dividir os royalties gerados pela exploração do petróleo nas bacias do Pré-Sal e ainda “Com Dilma presidente “O Pré-Sal é nosso"!” III – Com Serra seria diferente”, uma denúncia após o WikiLeaks revelar no Cablegate um telegrama que mostra que Zé Serra já estava negociando o óleo com os gringos.

     Hoje o Pré-Sal ainda gera dúvida: quem é que vai se beneficiar com os royalties do petróleo. Sim, o problema continua. Dia desses houve até manifesto público, de novo, no Rio de Janeiro apoiado pelo governo do estado com um ponto facultativo para que os fluminenses fossem às ruas pedir que a riqueza ali produzida ficasse com o povo do Rio. Isso porque o estado é o que mais produz no país, por conta da Bacia de Campos. Estados como o Espírito Santo e São Paulo também brigam para que o dinheiro do Pré-Sal fique no seu território.

     Mas isso gera uma pergunta neste blogueiro: se somos uma União indissolúvel de estados, onde cada uma das Unidades Federativas é parte integrante de uma única Nação porque existe este individualismo entre os estados e porque o Governo Federal ainda pensa no caso? Todo o país deveria ser beneficiado com a riqueza do petróleo, isso porque muitos estados do Brasil estão à mingua enquanto outros, como o paulista, é uma mega potência.

     Como caracteriza o especialista Lucas Kerr de Oliveira no documentário “O Desafio do Pré-Sal” da Discovery Channel, o Pré-Sal é “um Iraque no nosso litoral”, diante de tanta riqueza muitos outros programas sociais, como o Bolsa Família poderiam nascer, ou então o já existente poderia crescer e assim desenvolver nossa economia tornando-a de fato a 7ª maior do mundo, porque enquanto estamos nesta posição privilegiada nossa Renda Per Capita é a 70ª, dez vezes mais baixo.

     Porém o Brasil não pode pensar em tornar-se um grande exportador de petróleo, tornando-se uma nova Arábia Saudita, mas sim utiliza-lo para gerar recursos para tecnologias que substituirão o petróleo e por isso não podemos ficar dependentes diretos dos royalties do Pré-Sal, até porque o Brasil quer tornar-se líder em energia limpa e tem enorme facilidade para tornar-se. E ainda: o Pré-Sal tem seu tempo contado, não vamos dizer dias, mas décadas, porém não muitas décadas.

     O teste inicial para procurar petróleo custou US$ 240 milhões, o poço mais cara da história mundial até então. Porém aquele poço, o de Paraty, foi um fracasso, um fracasso que deu certo – havia muito gás e pouco petróleo, mas ele foi o que gerou vontade nos profissionais da Petrobras para buscar outras jazidas. Chegaram em Tupi.

     O Pré-Sal pode gerar de 5 a 8 bilhões de barris apenas na Bacia de Tupi que é um dos poucos poços gigantes do mundo, onde o petróleo é muito bom além de haver muito gás, podendo deixar o Brasil independente da Bolívia. Especialistas afirmam que descobrir uma jazida tão grande é viver um sonho e comparam a exploração a uma viagem do homem para explorar o Universo.

     Toda esta riqueza esta no limite da zona de exploração marítima brasileira. Por isso o Brasil solicitou sua zona de exploração, tudo isso para gerar riqueza para este país do futuro.

     O estranho é que pouco se tem falado do Pré-Sal, apenas pequenos veículos publicitários da Petrobras tratam dele, talvez o governo já esteja consciente de que o ouro negro não seja tão farto como parece ser e que ele, sim poderá ser exportado, mas que será basicamente para o mercado nacional.

     Porém, o ideal é que a Era do petróleo termine, para que o planeta Terra continue vivo.