Há alguns dias fui surpreendido pelo noticiário matutino. As notícias não eram alegres (como sempre) e esta chegou a me aterrorizar.
A matéria afirmava que o WikiLeaks estava interrompendo suas atividades por falta de recursos financeiros para manter a divulgação dos documentos vazados.
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O WikiLeaks ficou conhecido no mundo inteiro no final do ano passado por vazar o “Cablegate”, um conjunto de documentos secretos do governo dos Estados Unidos, onde as embaixadas estadunidenses espalhadas pelo mundo enviavam informações confidenciais dos governos locais para o governo federal norte-americano, o que mostra o avanço dos tentáculos imperialistas pelo mundo todo. Coube a Julian Assange, o criador do WikiLeaks, também, vazar outros documentos antes do Cablegate: o site divulgou diários de guerra do Afeganistão e do Iraque, documentos que apontavam o despejo irregular de lixo de países ricos na África, além de pesquisas científicas que deixaram pessoas com problemas graves de saúde e sem assistência dos laboratórios farmacêuticos estadunidenses e europeus. Conheça mais da história do WikiLeaks aqui.
Com todos os dedos seus nas feridas do Império capitalista, Julian Assange se viu cassado no final de 2010 e teve sua prisão decretada. As acusações eram de estupro e agressão sexual contra duas mulheres na Suécia – o caso nunca foi provado. Muitos políticos o acusavam de terrorista high-tech, isso porque ele conseguia por meio legal acesso a documentos confidenciais de governos que mostram os podres destes.
O WikiLeaks, como o próprio Assange diz, é a melhor ferramenta para obrigar que os governos (máquina pública, ou seja do povo) divulguem suas atividades para toda a população, prestando contas e assim evitando a corrupção e o desvio de dinheiro ou então a prática do nepotismo, por exemplo.
Com todas as acusações contra o WikiLeaks o grupo começou a passar pelo maior desafio de sua existência: não é a perseguição política, mas sim o bloqueio bancário por parte das maiores instituições financeiras do mundo e isso impossibilita que o WikiLeaks continue a vazar documentos, revelando outros milhões de segredos governamentais que precisam ser expostos.

A Visa, a Master Card, o PayPal, a Western Union e o Bank of America bloquearam todas as contas em que o WikiLeaks recebia donativos de usuários da internet que admiram o trabalho de Assange e companhia. Isso deixou o grupo com apenas 5% de toda a sua vida financeira e agora o grupo WikiLeaks pede a ajuda de todos os usuários da internet que admiram seu trabalho: pedem um donativo, qualquer que seja, para ajudar na manutenção do site e na continuidade dos vazamentos e assim reduzindo a cada dia a possibilidade de políticos fazerem o que querem com dinheiro público.
Ao contrário do que afirmou a imprensa, o WikiLeaks não vai parar, pelo contrário, ele quer continuar a funcionar e por isso iniciou uma campanha de arrecadação de fundos sem precedentes. “O mundo está sofrendo o efeito devastador da ganância e da corrupção dos bancos e simplesmente não podemos permitir que eles ataquem o direito fundamental das pessoas decidirem que causa apoiar”, afirmou o porta-voz do WikiLeaks que esteve no Brasil, Kristinn Hrafnsson no último final de semana.
O WikiLeaks já vazou milhões de documentos. Somente do Cablegate (os telegramas secretos dos EUA) foram 250 milhões e como o planeta político no mundo, infelizmente, é extremamente corrupto a equipe continua recebendo documentos e ainda guarda documentos a serem vazados, que só não o são por falta de dinheiro.
O porta-voz do WikiLeaks afirmou à revista Carta Capital que “as nossas projeções para 2012 variam entre 3.2 e 3.3 milhões de dólares”, é disso o que eles precisam para manter o site no ar. “Mas pelo menos um terço disso deve ir somente para a batalha legal contra as corporações financeiras que estão fazendo esse bloqueio econômico contra nós. Isso mostra que estamos comprometidos em lutar seriamente contra essa ação ilegal das corporações financeiras porque é uma questão fundamental de liberdade de expressão, e estamos lutando por interesses muito maiores do que somente o WikiLeaks. Nos últimos anos o mundo tem sofrido o efeito devastador da ganância e da corrupção dos bancos – veja a crise econômica – e simplesmente não podemos permitir que eles ataquem o direito fundamental das pessoas decidirem que causa apoiar. É importante explicar também que o WikiLeaks tem um custo legal muito alto, porque somos sempre atacados de diversas direções.”
É por isso então que o WikiLeaks pede a ajuda de todos, para que não saia do ar e que continue a publicar documentos, exigindo que os governos sejam transparentes e trabalhem na legalidade, revelando ao mundo o que é feito e o que deixa de ser com o dinheiro do povo. Caso você possa doar, clique aqui, se não, divulgue a causa, com certeza alguém poderá ajudar.
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