A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu hoje, enfim, a questão dos medicamentos emagrecedores, usados no tratamento de pessoas obesas ou com necessidade, porém extrema dificuldade, de perder peso. A sibutramina, um dos medicamentos mais utilizados neste tipo de tratamento que poderia perder sua autorização de venda no Brasil continua autorizado para ser comercializado no país. Já os derivados de anfetamina estão proibidos pela Anvisa. Foram três votos a favor da sibutramina e apenas um contrário, já a anfetamina foi proibida em votação unânime. As farmácias terão 30 dias para retirar os anfetamínicos das prateleiras. Já para a sibutramina a decisão foi de aumentar o rigor na hora da venda.

Esta decisão estava para ser tomada desde fevereiro, quando a Anvisa passou a discutir o assunto e cogitou retirar todos os inibidores de apetite do mercado nacional, isso porque a Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) publicou um parecer sobre os riscos que estes medicamentos levam a quem os consome. Por conta disso diversas audiências públicas foram realizadas, muitos profissionais da saúde lutaram para que esta classe medicamentosa não fosse banida do Brasil, com o argumento de que eles são necessários para o tratamento de obesos, principalmente.
Mais tarde a chefe do Núcleo de Notificação da Anvisa, Maria Eugenia Cury anunciou que mantinha o conselho de proibição da anfetamina, porém a sibutramina poderia continuar no mercado, desde que o comércio fosse bem regulado, seguindo diversas regras: ela só poderia ser vendida mediante um termo assinado pelo médico e pelo paciente; já os fabricantes teriam que “vigiar” os problemas causados pela sibutramina. Maria afirmou apenas que esta afirmação era técnica, não apresentando justificativas.
Depois a Cateme repudiou esta afirmação, usando de argumento um estudo Scout, realizado em 2009 com 10 mil pacientes a pedido do fabricante do medicamento sibutramina, a Abott. Este estudo mostrou que os pacientes obesos que utilizavam a sibutramina apresentavam um aumento da probabilidade de ataques cardíacos e AVC (acidente vascular cerebral, o derrame).
Hoje, o que ficou decidido, após a Anvisa analisar todos os estudos, que seria mantido o parecer técnico do Núcleo de Notificação da agência: daqui a trinta dias, quando a norma passa a valer, sibutramina terá de ser vendida seguindo normas rígidas, impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Daqui um ano será revisado o impacto da norma sobre a venda e utilização do medicamento. Os derivados de anfetamina ficaram proibidos. Isso tudo foi anunciado em uma reunião pública da Anvisa, que seria transmitida ao vivo pela internet, porém não foi, pois houve um problema técnico.

Muito estranha a decisão tomada pela Anvisa, pois a sua Câmara de Testes apresentou estudos mostrando os riscos que traz a sibutramina e a anfetamina, porém apenas os anfetamínicos foram proibidos. Além disso, desde 2010 a União Europeia (UE), os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália, o Uruguai, o Paraguai e o México proibiram a venda da sibutramina, após os resultados do estudo Scout, encomendados pelo próprio fabricante do medicamento. Aqui no Brasil a Anvisa apenas apertou o cerco, permitindo a venda do emagrecedor apenas com a receita de medicamento tarja preta, a azul. Com isso houve queda de 32% na PRESCRIÇÃO da sibutramina – em abril de 2010 foram 2,95 milhões de receituários, contra 1,99 milhão em abril de 2011.

Como dito, daqui um ano será reavaliado o que esta atitude causou, porém seria necessário que a indústria farmacêutica encontrasse outra forma de auxiliar os pacientes obesos, para que medicamentos que causem problemas de saúde, como a sibutramina e a anfetamina, possam ser retirados do mercado sem causar maiores danos. Porém, cabe aos médicos e principalmente aos pacientes que dependem destes emagrecedores saber que estes apenas servem como inibidores do apetite e não como fórmulas milagrosas, o que gera resultado é um regime alimentar sério, acompanhado de intensa atividade física!
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